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Latências e marketing viral

Recentemente, em uma reunião com um cliente, ouvi aquele já tradicional pedido quando se pensa em uma estratégia de mídias sociais: “quero criar um viral”. Essa frase sempre me deixa intrigado porque, na minha opinião, virais são coisas que acontecem. E para que eles existam é necessário um ambiente que propicie esse fenômeno.

Eu comparo um viral a uma pessoa dando milho aos pombos de uma praça. Antes de jogar o milho (o viral), ela procura saber se há pombos (gente que se interessaria pelo viral). E se há pombos, eles vão à pessoa motivados pelos outros pombos, que chegaram antes, ou seja, a informação de que ali há alimento é passada de um a um.

Em mídias sociais, se não há pombos, não há viral. Acredito que os virais aconteçam por diversas razões, mas a principal delas pra mim é  a motivação. Pessoas precisam ser motivadas por alguém ou algo para que um grupo seja formado. Isso acontece na nossa vida offline, também. Esse é um conceito simples, que mostra o poder das novas mídias.

Quando penso em uma estratégia para redes sociais, gosto de imaginar o que motiva as pessoas. O que as faz se interessar por uma ideia. O que as faria passar essa ideia à frente. Aprendi que as ideias  que pegam são aquelas que são favorecidas por uma latência, uma vontade de ter algo que ainda não se conhece. Gutenberg fez isso com o livro impresso, ajudando Lutero a motivar pessoas a pensar por si próprias. Steve Jobs é o pai da matéria no nosso tempo. Esses caras souberam entender o que move alguém. Isso me faz lembrar da frase atribuída a Henry Ford, quando ele desenvolveu a ideia do primeiro carro. “Se eu perguntasse às pessoas o que elas queriam, responderiam: cavalos mais rápidos”.

Emmy 2010 usa redes sociais para aumentar audiência

Pra quem não conhece, o Emmy é o prêmio dos melhores programas da TV americana. É um equivalente ao Oscar, no cinema. A próxima edição do evento acontece nesse domingo (29) e uma das atrações, além da participação dos famosos, será o uso das redes sociais, especialmente o Twitter. A NBC, uma das maiores redes de TV dos Estados Unidos, vai colocar a disposição dos telespectadores uma página onde poderão interagir com o apresentador da festa, o ator Jimmy Fallon.

A razão para o uso de redes sociais antes e durante o show é simples: aumentar a audiência. O Emmy vinha sendo exibido com atraso no sinal, recurso muito usado em transmissões de eventos desse tipo e com as  facilidades como Tivo (lá fora), internet, TV a cabo, entre outras coisas, os espectadores têm preferido assistir aos programas em outro horário, o que tem derrubado os números de audiência. A experiência de transmitir o Globo de Ouro sem atraso de sinal para todos os Estados Unidos foi bem sucedida na CBS e a NBC vai repetir com o Emmy.

A decisão de não usar o delay na transmissão abriu o caminho para as redes sociais. Nada mais acertado, pois o que mais tem adicionado charme aos programas de televisão são as twittadas dos telespectadores, vide Big Brother e o final da série Lost. A NBC espera aproveitar o aumento na audiência do Emmy para anunciar também sua nova programação.

Tweets, vídeos e fotos integram a estratégia social do Emmy

A NBC já criou uma página em que os internautas podem gerar tweets para os apresentadores do evento. Essas mensagens poderão ser aproveitadas pelo host do show, Jimmy Fallon e usadas durante o Emmy.

Além do Twitter, o serviço de vídeos Ustream.com e o de fotos Yfrog também mostrarão a chegada dos famosos ao tapete vermelho e os bastidores da festa da televisão americana. A CBS, concorrente direta da NBC, usou esses recursos na entrega dos Grammy Awards (prêmio de música).

Acho que isso mostra que cada vez mais o conceito alarmante de que a internet vai acabar com a televisão é uma grande bobagem. O que se mostra claro é que as redes de TV estão se preparando (algumas com inteligência) para manter seus níveis de audiência, usando as redes sociais. Recentemente, tive a oportunidade de ver uma palestra da Monica Albuquerque, do departamento de mídias sociais da Rede Globo, e ela mostrou a mesma preocupação em adequar as transmissões ao uso das novas mídias; prova que quem pensa que as grandes emissoras de TV estão paradas está enganado.

Quem quiser twittar com o Emmy esse ano a hashtag é #imontheemmys. E que vençam os melhores.

Fonte desse post: Mashable.com

Unisuam promove discussão sobre ética em redes sociais

Depois de um longo hiato, por falta total de tempo, estou de volta ao blog para falar da minha participação na Semana da Comunicação da Unisuam.

Ontem, estive no Núcleo Hans Donner, em Bonsucesso, discutindo “Redes sociais, Comunicação e Ética”. Achei a inclusão do tema ética muito pertinente e fiquei com uma ótima impressão dos alunos pelos questionamentos e ideias apresentadas.

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Menos e-mails, mais inteligência

Você, que trabalha mandando e recebendo e-mails, já deve ter passado por essa situação. Chega ao seu local de trabalho, liga o computador e abre o seu programa de e-mail seja lá qual for. Em seguida, começa a ver que o número de e-mails não para de crescer na caixa de entrada e esse quadro não muda durante o dia. Aí, você pensa: será que existe necessidade de um número tão grande de e-mails assim. Muitas mensagens que recebemos são para apenas dizer “obrigado”, ou dar um ok pra alguém fazer alguma coisa. Algo que poderíamos muito bem resolver via instant messenger ou outro comunicador qualquer. Mas, nós já estamos tão acostumados a essa prática do e-mail, que não nos damos conta da perda de tempo precioso que isso nos causa. Isso sem falar naquelas piadas que os colegas insistem em mandar dos e-mails profissionais. Nada contra elas, mas e-mail profissional não é pra isso.

Recentemente, li um post bacana do Carlos Franco, no blog do TerraForum, e resolvi elaborar meu pensamento sobre essa questão. Sim, isso me aflige um pouco. No momento em que falamos sobre redes sociais, centralizadas ou não, em redes internas sendo construídas em empresas, em comunicação cada vez mais 2.0, acho que o e-mail está ficando ultrapassado, embora saiba que ele será usado ainda por um tempo até que todas as empresas se sintam mais seguras sem ele. O volume de informação que recebemos é enorme atualmente. Mas, o que fazer para organizar essa quantidade de dados que nos chega sem piedade?

Em busca de um novo Ben Self

Na última sexta (7), o jornal O Globo publicou matéria sobre a insatisfação da cúpula do PT com o trabalho do especialista em redes sociais, Marcelo Branco, responsável pela campanha de Dilma Roussef, na internet. Esse fato me chamou a atenção, pois na palestra que dei na Universidade Castelo Branco fui perguntado sobre o uso das mídias sociais nas campanhas políticas.

Penso que os partidos brasileiros parecem estar em busca de um repetidor das ideias que o americano Ben Self pensou para o então candidato Barack Obama. No entanto, acho que essa ideia é um grande erro, porque o que deve ser levado em consideração antes da montagem de uma estratégia é o cenário atual. O Brasil não vive o mesmo momento que os americanos viviam quando George Bush deixou o poder. O ideal de mudança que Barack Obama conseguiu promover nos seus eleitores veio de uma vontade legítima das pessoas envolvidas por sua campanha. O sentimento de repúdio ao medo do terror imposto por Bush e seu continuador, Dick Cheney, foi fundamental para que o candidato democrata vencesse. Ben Self usou seu talento para fazer acontecer o que os votantes de Obama queriam. Co-criou com eles.

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