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Camiseteria e a polêmica da troca dos cupons

Participo de um grupo de discussões no Facebook chamado Entusiastas da Social Media e ontem fui surpreendido com o post da Renata Chelli Arcoverde, do blog Biscoitices. No post, Renata contou sobre uma promoção feita em seu blog, que deu às vencedoras cupons de desconto para o site Threadless, a versão americana do nosso Camiseteria.

Depois de a promoção ter se encerrado, o perfil do SAC do Camiseteria fez a proposta que causou toda a polêmica no grupo do Facebook: trocar os cupons de desconto da Threadless, de US$ 25,00 cada, das ganhadoras, por vale-compras do Camiseteria, no valor de R$ 80,00.

As opiniões no grupo foram bem distintas. Uns aprovaram a atitude do Camiseteria, outros não gostaram. A pergunta que ficou é: será que ações mais agressivas de marketing, como essa, agradam ao público brasileiro?

Na minha opinião, a ação do Camiseteria não foi bacana. Mas, acho que a empresa tem o direito de tentar esse tipo de abordagem. Só que poderia ter se pensado em uma forma de mostrar mais valor ao blog Biscoitices e às ganhadoras. Oferecendo os seus cupons, sem ter partipado da promoção do Biscoitices, o Camiseteria reduziu a importância do prêmio oferecido pela Renata, no seu blog. Nesse caso, o blog é a mídia a ser valorizada. Se fosse feito de outra forma, às vencedoras da promoção teriam uma chance de conhecer o Camiseteria – que é bacana, eu curto pra caramba, sem a necessidade de comparar tão explicitamente o produto do Camiseteria com a concorrência. Quem sabe algo como, “parabéns, pela promoção do Biscoitices. Queríamos que você (ganhadora) conhecesse o nosso produto também e gostaríamos de te enviar um cupon de….”, não deixaria de validar a promoção do Biscoitices e, talvez, encantasse mais quem ganhou a promoção.

A conversa chegou a um ponto tal que o Fabio Seixas, criador do Camiseteria, resolveu participar, fato que eu e vários outros achamos muito louvável. Isso prova que o Camiseteria ouve opiniões de quem se interessa e curte seus produtos. Kudos!

Acho que há muitas possibilidades de ações de marketing. Mas penso que, assim como deve haver uma adequação de conteúdo às várias redes sociais, deve haver adequações à cultura de cada país e medir o nível de agressividade de cada ação.

O Camiseteria tem todo o direito de tentar e o público tem todo direito de opinar. De qualquer forma, achei DUCA o Fabio Seixas ter ido ao grupo – cerne da discussão -, se exposto e ouvido a galera. Isso é o bacana em midias sociais. Isso é co-criação.

E você, o que acha dessa abordagem de marketing? Mesmo, que não participe do grupo, deixe a sua opinião por aqui.

Bleffe dá uma aula de co-criação nas mídias sociais

Já escrevi um post aqui sobre como o Bleffe divulga o seu som nas mídias sociais. Na minha opinião, a banda é um dos melhores cases sobre o uso das possibilidades que a internet trouxe para músicos que desejam mostrar seu trabalho na grande rede.

Não bastasse a ação da blogagem coletiva, que rendeu muitos posts bacanas sobre o clipe de “Tarde demais”, dessa vez o Bleffe foi ainda mais longe: organizou uma promoção que vai sortear iPods e um iPad entre os amigos que patrocinarem o novo single da banda. Além disso, todos os participantes da ação vão aparecer na capa do próximo CD do grupo. Eu achei a ideia genial e resolvi bater um papo online com Christian Garcia, vocalista do Bleffe.

Como surgiu a ideia pra ação?

Christian Garcia, líder do Bleffe (terceiro da esq. para dir.)

Infelizmente, a grande maioria das bandas independentes tem pouquíssimos recursos financeiros pra investir eu suas próprias carreiras. Grande parte encerra suas atividades por isso. É um ciclo vicioso: não tem show> a banda não faz $$> não aparecem shows, etc, etc…

Então o que resta fazer? Dar/criar um “jeitinho”, criar alguma(s) forma(s) de manter a atenção do público, mesmo que “online”, já que o público “offline” está complicado atender, por conta da escassez de espaços e oportunidades.

Eu tinha acabado de ganhar dois iPods Shuffle numa promoção online, e, vendo que há quase um ano e meio o Bleffe não lança música nova, resolvi pensar em algo. Inicialmente pensei numa rifa online, pura e simples, mas aí, vendo uma série de ações de crowdfunding dando certo por aí, resolvi juntar tudo: fazer uma rifa e, ao mesmo tempo, mobilizar as pessoas que gostam do som do Bleffe a “tomarem parte”.

Conversei com o Bruno Francesco, que, além de cantor também é publicitário, e ele deu o toque final, dando a ótima idéia de embutir as fotos dos doadores na capa do CD. Daria o toque de “colaborativismo” necessário pra ideia ao menos chamar a atenção.

Já com a ação “no ar”, eu pensei no cunho comercial dessa idéia das fotos e passei a oferecer a campanha pra quem tem algum tipo de empreendimento, empresa, sei lá…A pessoa/empresa, dando uma colaboração
com um valor maior, teria sua marca exposta com maior destaque, como no caso do pessoal do “Queremos”.

Nesse meio tempo, o Bruno acabou tendo outra idéia: “porque não aumentarmos o desafio, e incluirmos um iPad no sorteio, caso esse desafio seja igualado/superado?”. Então estabelecemos a meta de 1000 doações pra sortearmos o iPad.

Você espera com essa ação mudar a forma como o mercado da música pensa em relação aos novos modelos de negócio?

Sinceramente, não tenho essa pretensão, mas olha, seria muito legal se essa ação causasse isso. Já existem bandas/artistas que pensam diferente, que sabem que o fã é o balizador do seu sucesso. Às vezes eu acho que o próprio fã ainda não se deu conta do poder que tem. O fã precisa “se ligar” de que é sim, capaz de mudar as programações de rádio e TV. Basta não alimentar essa
indústria, basta procurar ouvir algo que realmente o agrade, o faça sentir bem. E a internet já é a “fonte dos desejos musicais” das pessoas.
Pra descobrir bandas/artistas nacionais eu indico a Melody Box e pra descobrir artistas gringos eu indico o The Sixty One. Todos os dois são “minas de ouro” de boa música. Você fã de boa música, que me lê, não precisa ser escravo do jabá, não precisa “enfiar” em seus ouvidos o que
a “indústria” QUER que você ouça.

Você acha que o Bleffe pode virar uma referência para as futuras bandas que ainda procuram os seu espaço?

Modéstia à parte, espero que sim. É aquilo, Fábio, eu tenho o segundo Grau, cara, não sou formado em publicidade e nem em Marketing Digital ou coisa do tipo. Cometo, sim, erros na divulgação do Bleffe na internet. Claro que muito menos erros do que cometia há 5 anos, quando comecei, mas ainda erro.

Venho estudando, consultando pessoas do meio, ouvindo um conselho aqui, um “esporro” ali (é, eu tomo esporro…hehehe), lendo matérias, enchendo meus favoritos de links… Mas vejo que poucas bandas/artistas têm a dedicação e atenção ao online. É LÓGICO que eu não estou pregando aqui que o online é “tudo”. Não estou aqui “demonizando” o palco, o show. Mas num momento onde os espaços são pouquíssimos ou em que brotam às centenas movimentos onde o artista paga pra tocar, ao invés de receber, a internet vira uma alternativa, e, em alguns casos, se transforma na tábua de salvação de alguns artistas.

Temos exemplos sabidos de artistas que retomaram suas carreiras por conta da internet, das redes sociais. E, indo um pouco mais longe, também existe o caso de uma boa parte dos artistas que AINDA pensam que só tocando, ensaiando e gravando vão conseguir algo. Tem que por a mão na massa, correr atrás do seu espaço, produzir seus próprios eventos (como fiz com o “Bleffe convida” em 2007 e 2008, onde dividimos o palco com mais de 35 bandas, algumas até de fora do RJ). Sem contar a falta de união da classe, que é latente! Um monte de exemplos por aí de junção de forças que levam ao sucesso, independente da área, e na música o “farinha pouca meu pirão primeiro” ainda rola, e com força!

Vejo muito você à frente das ações do Bleffe. E o resto da banda, tem o mesmo engajamento?

Bela pergunta, mas com resposta triste. Não. O resto da banda não tem o mesmo engajamento. O baterista nem perfil tem, em lugar algum. O baixista tem Orkut e Facebook, só. O guitarrista tem Orkut, Facebook e Twitter. Eles não tem essa ligação com as redes que eu citei ser primordial, mas, fazer o que? Eu é que não vou esperar por ninguém, né? Hahahahaha… Eles aprovam e aplaudem a maioria das ações que eu realizo, mas nada muito além disso.

Ainda dá tempo de participar da promoção do Bleffe e, quem sabe, levar iPods e um iPad pra casa. Por isso, #CORRAO!!!

Co-criando com a Castelo Branco

Hoje, tive o prazer de participar da Semana de Comunicação da Universidade Castelo Branco, onde falei sobre Novas Mídias e Co-criação – temas que tenho discutido frequentemente no meu grupo de estudos, sob a batuta do professor Carlos Nepomuceno.

É sempre muito bom voltar ao ambiente acadêmico e fiquei com um gostinho de “quero mais”. Parabenizo a coordenação do curso de comunicação pelo alto nível do debate e das perguntas que me fizeram. Galera antenada e curiosa. Muito legal.

A palestra “Novas Mídias – É tempo de co-criação”

Amanhã, estarei na Univercidade, em Ipanema, juntamente com Adryana Almeida, da Textual, para falar mais um pouco sobre comunicação e novas mídias.

Na palestra de hoje, propus aos alunos a ideia:

como fazer para promover a co-criação de uma nova universidade?

Se você esteve presente ao evento, deixe seu comentário e diga o que gostou (ou não rsrssrs…). Quem quiser saber mais e conversar comigo sobre o tema, os comentários estão abertos.