Privacidade na web é possível, sim

diaspora staff – maxwell daniel raphael ilya

Se você anda preocupado com o destino dos dados que armazena na internet, a solução para este problema pode estar chegando. Conheça o Diaspora. Desenvolvido por um matemático e três alunos da Universidade de Nova Iorque (NYU), Maxwell Salzberg, Daniel Grippi, Raphael Sofaer e Ilya Zhitomirskiy, a construção dessa nova rede social tem como premissa a proteção e a garantia de que somente o usuário terá controle sobre o destino de suas fotos, vídeos etc.

De acordo com o blog do Diaspora, o objetivo é criar uma rede distribuída, onde computadores completamente descentralizados se conectam diretamente (como no modelo peer 2 peer), sem comprometer a privacidade dos usuários. A ideia é que cada pessoa tenha seu próprio site, se conectando pela plataforma. O staff do Diaspora chama esses computardores de “seeds”, os mesmos que são usados por aqueles que conhecem o sistema de torrents. O “seed” é hospedado pelo próprio usuário ou em um servidor alugado. Uma vez instalado, este “seed” agregará todas as informações do usuário: perfis em outras redes sociais (não falam do Orkut no blog), tweets etc. Os desenvolvedores prometem desenvolver um framework colaborativo e de código aberto para integrar qualquer nova ferramenta que apareça no vasto leque das mídias sociais.

O staff do Diaspora: Maxwell, Daniel, Raphael e Ilya

Segundo os desenvolvedores do projeto, totalmente financiados por doações via web, a descentralização da rede social permite a reconstrução dos nossos “gráficos sociais”, para que eles voltem a nos pertencer. O Diaspora terá os dados encriptados, o que vai totalmente ao encontro dos que têm criticado o Facebook por sua forma de tratar os dados dos usuários, expondo-os a terceiros sem a devida autorização.

Os idealizadores do projeto acreditam que, assim como na vida real, as redes sociais não precisam de centralizadores para existir. Resta saber se os usuários mais comuns e menos acostumados aos tecnicismos da internet terão vontade de usar o Diaspora como sua nova plataforma de redes sociais.

A grande ironia dessa história é que o vídeo explicativo do Diaspora* pode ser divulgado via share no Facebook, além do Twitter, Tumblr e e-mail. Então, te cuida Zuckerberg. Esse é mais um exemplo do que a ruptura 2.0 propõe: uma inteligência coletiva em prol de um bem comum. Nesse caso, a proteção à privacidade de todos na internet.

Mais sobre o Diaspora:

BBC – http://bit.ly/9fOIfO

New York Times - http://nyti.ms/9c8VZQ

2 Responses to “Privacidade na web é possível, sim”
  1. Roney Belhassof 25 May 2010 at 15:16 #

    Esse ano no CPLabs (Campus Party) vi o José Damico apresentar exatamente essa ideia! Muita gente o acha meio maluco, mas o acho simplesmente brilhante!

    A ideia de criar uma rede social auto mantida e distribuida é essencial para darmos o próximo passo em direção à hiper-democracia e isso, embora pareça ficção científica, não é diferente dos primeiros ares da democracia antes da revolução francesa: inacreditável daqui, mas inevitável

  2. Fábio Carvalho 25 May 2010 at 18:33 #

    Roney,
    a princípio, confesso que tive que entender bem a ideia do Diaspora antes de blogar sobre ele. Mas, acho que isso é perfeitamente possível, embora esbarre no conceito de um internauta mais bem preparado para saber usufruir a possibilidade de uma rede auto mantida. De qualquer forma, é um primeiro e interessante passo rumo à democracia nas redes sociais. Vamos ver pra onde vai.
    Obrigado pela visita.

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