É na real ou no hype?

foradacaixa

No último fim de semana, os queridos amigos Roney Belhassof e Claudia Mello comemoraram 25 de estrada juntos. Tive a honra e o prazer de ter sido convidado para esta festa onde participei de um papo com gente que, na sua grande maioria,  é ligada a empresas de comunicação digital ou tem projetos voltados às novas mídias. Em dado momento, o assunto ações em mídias sociais veio à baila e obviamente cada um deu sua opinião. No final, uma coisa ficou clara: o que tem sido feito são ações das empresas 1.5, que nada mais são do que reproduzir o modelo 1.0 de publicidade em mídias tradicionais, utilizando-se de novos formadores de opinião para divulgar seus produtos nos meios digitais.

É importante dizer que não tenho nada contra isso. Até porque todo profissional de novas mídias, em um certo momento, de sua curta carreira já participou ou planejou uma estratégia desse tipo. “Vamos procurar o blogueiro tal e pedir que avalie nosso produto.” Isso é comum em mídias sociais e não depõe em nada contra as empresas ou os próprios blogueiros. Porém, essa forma de usar os formadores de opinião ainda é rasa, sem apresentar um dos  componente mais fundamentais das mídias sociais: a informação colaborativa.

As empresas que já utilizam mídias sociais em sua comunicação já perceberam que existe uma troca na relação de poder com seus consumidores e a elas vão os meus parabéns, embora, algumas não venham a dar esse poder de fato ao consumidor, isto é, apenas fingem querer ouvir para continuar fazendo o que já fazem há anos. “Ninguém entende melhor do nosso produto que nós mesmos.”

Mas, há uma corrente que começa a despontar e que pode ser a grande saída para a redenção do uso mais inteligente das mídias sociais: o conceito 2.0, baseado na co-criação da empresa com seus consumidores, que já são 2.0 há muito tempo.

O cerne da questão é que não adianta dizer que uma empresa é 2.0 se esse conceito não for entendido internamente. É necessário que todas as áreas da empresa percebam que ao entrar na internet, ao estabelecer um canal de comunicação com o mundo exterior, há que se preparar todos os setores para suprir demandas e diminuir o tempo de resposta aos consumidores. Uma ação de marketing 2.0 certamente terá que ser acordada com a comunicação interna, o financeiro, o jurídico, entre os outros departamentos mais cruciais das empresas. Sem egos, sem atores principais. O principal deve ser a empresa. Não é fácil. Eu sei. Porém, tudo isso que for feito tem que ser pensando como uma forma de a empresa resolver o problema dos consumidores. Sem isso, o que teremos são ações 1.5, fazendo fumaça, buzz ou promovendo o hype.

Essa questão me faz lembrar uma frase de Clay Shirky, que conheci no grupo de estudos do meu amigo Nepô.

As instituições têm a tentação de preservar o problema para o qual elas têm a solução.

Será? E até quando?

One Response to “É na real ou no hype?”
  1. carlos nepomuceno 17 maio 2010 at 21:46 #

    Fábio, o caminho é esse….

    O mundo muda….

    Parabéns pelo texto,

    abraços,

    Nepô.

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