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Vídeo: Hiper-revolução

Há umas semanas, recebi esse link da Lillian King, que achou o Me Emblogando por fazer referência a mídias sociais e marketing digital. Fiquei sabendo que a Lillian é designer e faz parte de um grupo de pesquisa que analisa o impacto das mídias sociais e como elas têm ajudado a começar revoluções, vide Egito, Anonymous e Occupy, por exemplo.

Pra galera que é mais cascuda em social media, talvez o vídeo não represente muita novidade, mas para quem ainda tem curiosidade em entender um pouco mais sobre o mundo das mídias digitais, pode ser uma forma legal de aprender.

O vídeo é bem bacana e vale a pena a reflexão sobre o que ele propõe. Assistam e deem suas opiniões.

 

Bleffe dá uma aula de co-criação nas mídias sociais

Já escrevi um post aqui sobre como o Bleffe divulga o seu som nas mídias sociais. Na minha opinião, a banda é um dos melhores cases sobre o uso das possibilidades que a internet trouxe para músicos que desejam mostrar seu trabalho na grande rede.

Não bastasse a ação da blogagem coletiva, que rendeu muitos posts bacanas sobre o clipe de “Tarde demais”, dessa vez o Bleffe foi ainda mais longe: organizou uma promoção que vai sortear iPods e um iPad entre os amigos que patrocinarem o novo single da banda. Além disso, todos os participantes da ação vão aparecer na capa do próximo CD do grupo. Eu achei a ideia genial e resolvi bater um papo online com Christian Garcia, vocalista do Bleffe.

Como surgiu a ideia pra ação?

Christian Garcia, líder do Bleffe (terceiro da esq. para dir.)

Infelizmente, a grande maioria das bandas independentes tem pouquíssimos recursos financeiros pra investir eu suas próprias carreiras. Grande parte encerra suas atividades por isso. É um ciclo vicioso: não tem show> a banda não faz $$> não aparecem shows, etc, etc…

Então o que resta fazer? Dar/criar um “jeitinho”, criar alguma(s) forma(s) de manter a atenção do público, mesmo que “online”, já que o público “offline” está complicado atender, por conta da escassez de espaços e oportunidades.

Eu tinha acabado de ganhar dois iPods Shuffle numa promoção online, e, vendo que há quase um ano e meio o Bleffe não lança música nova, resolvi pensar em algo. Inicialmente pensei numa rifa online, pura e simples, mas aí, vendo uma série de ações de crowdfunding dando certo por aí, resolvi juntar tudo: fazer uma rifa e, ao mesmo tempo, mobilizar as pessoas que gostam do som do Bleffe a “tomarem parte”.

Conversei com o Bruno Francesco, que, além de cantor também é publicitário, e ele deu o toque final, dando a ótima idéia de embutir as fotos dos doadores na capa do CD. Daria o toque de “colaborativismo” necessário pra ideia ao menos chamar a atenção.

Já com a ação “no ar”, eu pensei no cunho comercial dessa idéia das fotos e passei a oferecer a campanha pra quem tem algum tipo de empreendimento, empresa, sei lá…A pessoa/empresa, dando uma colaboração
com um valor maior, teria sua marca exposta com maior destaque, como no caso do pessoal do “Queremos”.

Nesse meio tempo, o Bruno acabou tendo outra idéia: “porque não aumentarmos o desafio, e incluirmos um iPad no sorteio, caso esse desafio seja igualado/superado?”. Então estabelecemos a meta de 1000 doações pra sortearmos o iPad.

Você espera com essa ação mudar a forma como o mercado da música pensa em relação aos novos modelos de negócio?

Sinceramente, não tenho essa pretensão, mas olha, seria muito legal se essa ação causasse isso. Já existem bandas/artistas que pensam diferente, que sabem que o fã é o balizador do seu sucesso. Às vezes eu acho que o próprio fã ainda não se deu conta do poder que tem. O fã precisa “se ligar” de que é sim, capaz de mudar as programações de rádio e TV. Basta não alimentar essa
indústria, basta procurar ouvir algo que realmente o agrade, o faça sentir bem. E a internet já é a “fonte dos desejos musicais” das pessoas.
Pra descobrir bandas/artistas nacionais eu indico a Melody Box e pra descobrir artistas gringos eu indico o The Sixty One. Todos os dois são “minas de ouro” de boa música. Você fã de boa música, que me lê, não precisa ser escravo do jabá, não precisa “enfiar” em seus ouvidos o que
a “indústria” QUER que você ouça.

Você acha que o Bleffe pode virar uma referência para as futuras bandas que ainda procuram os seu espaço?

Modéstia à parte, espero que sim. É aquilo, Fábio, eu tenho o segundo Grau, cara, não sou formado em publicidade e nem em Marketing Digital ou coisa do tipo. Cometo, sim, erros na divulgação do Bleffe na internet. Claro que muito menos erros do que cometia há 5 anos, quando comecei, mas ainda erro.

Venho estudando, consultando pessoas do meio, ouvindo um conselho aqui, um “esporro” ali (é, eu tomo esporro…hehehe), lendo matérias, enchendo meus favoritos de links… Mas vejo que poucas bandas/artistas têm a dedicação e atenção ao online. É LÓGICO que eu não estou pregando aqui que o online é “tudo”. Não estou aqui “demonizando” o palco, o show. Mas num momento onde os espaços são pouquíssimos ou em que brotam às centenas movimentos onde o artista paga pra tocar, ao invés de receber, a internet vira uma alternativa, e, em alguns casos, se transforma na tábua de salvação de alguns artistas.

Temos exemplos sabidos de artistas que retomaram suas carreiras por conta da internet, das redes sociais. E, indo um pouco mais longe, também existe o caso de uma boa parte dos artistas que AINDA pensam que só tocando, ensaiando e gravando vão conseguir algo. Tem que por a mão na massa, correr atrás do seu espaço, produzir seus próprios eventos (como fiz com o “Bleffe convida” em 2007 e 2008, onde dividimos o palco com mais de 35 bandas, algumas até de fora do RJ). Sem contar a falta de união da classe, que é latente! Um monte de exemplos por aí de junção de forças que levam ao sucesso, independente da área, e na música o “farinha pouca meu pirão primeiro” ainda rola, e com força!

Vejo muito você à frente das ações do Bleffe. E o resto da banda, tem o mesmo engajamento?

Bela pergunta, mas com resposta triste. Não. O resto da banda não tem o mesmo engajamento. O baterista nem perfil tem, em lugar algum. O baixista tem Orkut e Facebook, só. O guitarrista tem Orkut, Facebook e Twitter. Eles não tem essa ligação com as redes que eu citei ser primordial, mas, fazer o que? Eu é que não vou esperar por ninguém, né? Hahahahaha… Eles aprovam e aplaudem a maioria das ações que eu realizo, mas nada muito além disso.

Ainda dá tempo de participar da promoção do Bleffe e, quem sabe, levar iPods e um iPad pra casa. Por isso, #CORRAO!!!

Will.I.Am: o novo diretor de inovação da Intel

Essa semana, a Intel anunciou o nome do seu novo diretor de inovação criativa. Teria sido um comunicado normal, se o escolhido não fosse o líder do Black Eyed Peas, o cantor Will.I.Am. Quando fiquei sabendo da notícia, pensei: que jogada de marketing sensacional. Mas, aí eu parei pra pensar melhor e resolvi olhar pelo lado bom da coisa.

Empresas geralmente nomeiam para seus cargos de diretoria um profissional com muitas graduções e títulos. Mas, acho que com Will.I.Am a Intel viu a oportunidade rara de trazer um artista e, também, um usuário dos seus produtos, para o seu staff. Quero imaginar que a empresa realmente pensou no conceito da co-criação, alinhando uma área de inovação constante, como a tecnologia, a uma nova forma de pensar os negócios.

A Intel teve uma sacada interessante, mas não foi a pioneira. Em 2009, Lady Gaga já havia sido contratada pela Polaroid para pensar a área criativa da empresa. De qualquer forma, quando empresas começam a sentir que as ideias de criação corporativa também podem vir daqueles que trabalham diariamente com o pensamento criativo, a possibilidade de oferecer produtos mais adequados ao que o consumidor – fã, influenciado por esses artistas -, quer aumenta significativamente. Bom seria se os próprios funcionários fossem chamados para brainstorms sobre novas soluções e posicionamentos. Mas, isso é outra história. Tomara que a Intel não fique somente no hype e no marketing.

Will.I.Am – novo diretor de inovação criativa da Intel

Internet líquida – A rede centrada no consumidor

Há algum tempo, escrevi um post que falava sobre a tecnologia que permitia mudanças na estrutura dos sites, de acordo com o estilo de navegação do internauta, em tempo real, o chamado “morphing“. Recentemente, conheci a IQNOMY, uma empresa holandesa que promete levar essa tecnologia a empresas, agências e desenvolvedores.

Segundo a IQNOMY,  o objetivo é permitir que sites, especialmente os de e-commerce, se adaptem a cada visitante. A empresa batizou este conceito de “internet líquida” e pretende transformar websites em canais de negócios centrados nos clientes.

Ainda de acordo com a IQNOMY, ao contrário do que pode parecer, a implantação dessa forma de morphing ao site não demora muito. Bastam alguns ajustes para o conteúdo mais relevante começar a ser oferecido ao visitante certo, no momento certo e em tempo real.

A solução da IQNOMY se baseia no sistema S.a.a.S. Segundo a Wikipedia, o S.a.a.S é um instrumento mercadológico para fornecer um software, em forma de um serviço ou prestação de serviços.

O software é executado em um servidor, não sendo necessário instalar o sistema no computador do cliente, bastando acessá-lo por meio da internet. O sistema Google Docs, do Google, oferece esse sistema, permitindo que o usuário acesse um pacote de programas.

O fato de ajudar na transformação de sites em canais voltados ao consumidor é sem dúvida uma diferencial no serviço online. Mas, penso que não se deve esquecer que a experiência do usuário não termina no clique final para a compra. Uma logística bem montada e um serviço de atendimento preparado para lidar com consumidores, cada vez mais acostumados às redes sociais, continuam sendo fundamentais para o completo funcionamento do e-commerce ideal.

Tatuagens, relacionamento e marcas

Quando tive aulas com o professor Andrei Scheiner,  feraça em branding, fiquei muito curioso sobre a defesa da dissertação de mestrado que ele desenvolveu: “um estudo sobre as narrativas do consumo a partir das tatuagens de marcas de produtos”. Achei aquela uma grande sacada para mostrar até onde um fã marca iria para mostrar seu amor por ela.

Uma vez, me peguei zapeando pelos canais a cabo, quando me interessei pelo Miami Ink, programa em que tatuadores mostram seu estilo de vida e conversam com os tatuados sobre suas vidas e aventuras. Naquele momento, pensei: esses caras poderiam servir como o melhor exemplo de atendimento ao cliente que já existiu. Por quê? Explico.

Muita gente já conhece esses programas ‘Miami ou LA inks” da vida, mas pra quem nunca ouviu falar, funciona assim: a pessoa chega ao estúdio com uma ideia do que quer tatuar. Daí, o tatuador prepara o rascunho do que será pintado no corpo do cliente, se ele gostar, claro. Como os tatuadores são feras, raramente o cliente se sente insatisfeito, até porque, como disse, a ideia de tatuar é do próprio cliente. É ele que procura o serviço, seja por referência de amigos ou conversas em mídias sociais.

Passada a fase do rascunho, o tatuador começa a pintar o desenho na pele do cliente. É nessa hora que surge o componente fundamental para um bom atendimento: o relacionamento. As pessoas geralmente têm tatuagens por algum motivo e querem expressar seus sentimentos com esse gesto. Os tatuadores também sentem isso e trocam ideias in loco, perguntam aos clientes o que os levou a querer fazer tal tatuagem. Surgem histórias bacanas, motivos nobres, às vezes bem-humorados, mas o principal é que ali a relação “empresa” e cliente está muito bem fundamentada.

Ao terminar a tatuagem, o tatuador pergunta ao cliente o que ele achou. Novamente, é raro alguém dizer que não ficou satisfeito. Temos um grande follow-up, na hora, e muito bem conduzido, sem as formalidades do mercado tradicional. Assim, o cliente vai embora satisfeito, com a promessa de voltar ao tatuador para fazer mais uma tatuagem, pois quem gosta, geralmente, tem mais de uma. Se bem tratado, o cliente obviamente voltará ao mesmo tatuador. Olha o share of mind, aí gente!

É ou não é um serviço a ser copiado por quem pensa em um bom branding? Um viva aos bons tatuadores.